segunda-feira, 23 de março de 2015


Não consigo deixar de estar triste.

Devia estar feliz, bem sei. E estou. Mas triste.

Os meus filhos foram à eurodisney. Já chegaram a paris e estão bem. E vao divertir-se e adorar. E eu feliz com isso. E triste porque não é comigo que eles vao adorar.

E já sei que já foram comigo à isla mágica e à Warner bros e que vai ser mais do mesmo, mas mais do mesmo devia ser sempre comigo!

E pronto, era só isto. Vou continuar a ter em frente a mim a foto deles (e do P.) no dia em que fui para a China, vou continuar a olhá-los e a amar aquele sorriso que mais ninguém tem.

Há dias em que isto de ter filhos de um pai biológico que não é o que está ao nosso lado, é uma merda.

E esperar que sexta-feira chegue a correr!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015


Ontem estava cansada. Tinha chegado a casa, feito o jantar, croquetes para a festa de aniversario e brigadeiros porque tinham trazido boas notas. Estava cansada, com dores de cabeça e dores de costas. A determinada altura, tive de me deitar na cama para descansar. O P, no noutro quarto a treinar guitarra com o j. no nosso quarto, eu, deitada, o p. e o m.

M: - estás doente mamã?

Eu – só cansada filho

Ele_ deita-te um bocadinho e descansa. Queres um urso de peluche?

Eu – não, obrigada. Deita-te aqui ao meu lado e ficas tu o meu ursinho de peluche

Ele  - (feliz!)

Ele- precisas que te faça alguma coisa?

Eu – não. Vou já ficar boa, só preciso de descansar um bocadinho

Ele- então hoje não nos contas historias?

Eu- hoje se calhar não, não ficas triste?

Ele – não. Só quero que fiques boa! Vou buscar-te uma almofada (e foi). queres mais alguma coisa?

Eu – Não, basta-me ter-te aqui ao meu lado

Chegou o p.

- posso também deitar-me aí mamã?

 - sim, claro

Tens frio? Queres que te vá bsucar uma mantinha?

Eu – vocês têm de ir para a cama, a mamã fica bem

M- não… não te vou deixar sozinha. Fico aqui até o P. chegar.

 

Enchem o meu coração de alegria estes filhos. De uma ternura que eu não consigo dizer. Aconcheguei-os num abraço em silencio. Num silencio feliz e de memoria. São estes os momentos que não quero esquecer.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Do m, abraçado a mim, a propósito de nada:
 - Obrigada por seres a minha mama!

(soubesse ele o quanto eu agradeço tê-lo a ele (e aos irmãos) - como meus filhos...)

Natal


Passamos o natal. A minha época preferida de todo o ano.

Lembro-me dos natais passados em casa da minha avó. Casa pobre, muito pobre, sempre cheia de comida e de animação. Lembro-me das minhas primas, das nossas conversas, dos nossos sorrisinhos de excitação, dos nossos presentes (meias e lencinhos de mão das tias avósJ), da minha agenda, dos presentes dos pais, sempre os mais esperados.

Lembro-me do cheiro das rabanadas, do leite creme feito com água da minha avó (impensável para mim agora, mas que adorava na altura) e da sala minúscula onde cabíamos muitos! Lembro-me, muitíssimo bem (e ouço-o, muitas vezes, em pensamento), do riso do meu pai. Das suas brincadeiras meio parvas com a minha tia  e de como me sentia feliz quando voltava para casa, á noite. Feliz, amada, abençoada.

Hoje, o natal é outro. Não há casa das minhas avós. Não há avós. Não há o meu pai nem a minha tia, nem as brincadeiras disparatadas. Não há conversas com primas. Não há uma das primas. Não há cozinha com chaminé nem o frio da rua ao voltar para casa.

Mas continua a haver mãe. E irmã. E a irmã já tem marido e este ano tem um bebé. O t. que nos assustou imenso durante a gravidez mas que afinal é um anjo de perfeição e serenidade. E há a filha da prima que tem o cheiro dela, e, com muita alegria minha, passa a noite enroscada no nosso sofá. E há o P. que é, em sentido figurado e literal, o nosso pai natal. E há os nossos três príncipes da lua, que são ainda mais doces que o leite creme que a minha avó fazia.

Continua, por isso, a ser natal. Passado na nossa casa, com mesa cheia de família e de amigos. Com o calor da lareira e do fogão sempre aceso. E quando volto, à noite, á cama, continuo a sentir-me natal. feliz, amada, abençoada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Conversa de almofada, neste antes de adormecer, com o j:
 - mamã, tu vais viver mais de 10.000 anos?
 - sim, filho, muito mais que 10.000 anos!
 - mas a vóvó naná é mais velhinha que tu... quando ela morrer eu vou ficar tão triste...
 - não te preocupes! A vovó também ainda vai viver mais de 10.000 anos!
 - a sério? ufa! que bom!
:)
Ontem os meus filhos foram ao dentista.
Chegados a casa, disse o j.:
-mama, hoje não posso comer porque tenho uma caries!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Ontem, ao jantar:
m: mamã, podes por favor descascar-me uma tangerina?
eu - sim, claro
m., depois de comer a primeira: Podes descascar-me outra, mamã?
eu- Sim, filho.
m.: és mesmo a melhor mae do mundo!

(as expectativas deles são tão fáceis de superar... ás vezes, acho que ser mãe é o trabalho com melhor avaliação de desempenho que conheço:))