segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Já há muito muito tempo que tenho a desconfiança de que os meus filhos são poetas... é certo que imagino que o sejam todas as crianças da idades deles, mas como nao conheço mais nenhumas com estas palavras, dou-me o direito de acreditar que estas, as minhas, é que têm estas sensibilidade tão especial que as faz ser, no minimo, geniais:) Senao, porque me teria dito, um destes dias, ao atravessarmos a ponte da arrábida, o M.: - mamã, este é que rio? - é o rio douro - o mesmo rio que passa pela quinta dos avós? - exactamente o mesmo rio - Mas o rio que lá passa é mesmo de ouro mamã, muito mais brilhante que este aqui! (É que para além de ser de poeta é uma pergunta genial: porque raio é que o rio Douro é mais brilhante nos vales vinhateiros que por baixo da ponte da arrábida?) - deve ser por causa dos reflexos do sol e das sombras dos vales, meu amor...

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

E só pode estar tudo bem, quando um dos nossos filhos, do nada, nos diz: " eu ia até ao fim do mundo para te proteger a ti e ao P.!" Ah, que o coração de mae (e de P.) é tão facilmente comprável!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A casa da minha avó cabia, bem medida, no espaço do meu quarto. Era uma casa numa ilha - aqueles conjuntos habitacionais de muitas casas, em corredor, bem pequenas e humildes que ainda existem algures pelo Porto – com casa de banho cá fora, com descargas a baldes de água. A cozinha tinha um fogão, um pequeno armário e um lava-loiça que mais não era que uma bacia em cima de um mini balcão de pedra com uma torneira em cima. Não havia àgua quente e tomava-se banho numa bacia grande, na sala (no quarto só cabia a cama e um guarda-fatos), com água aquecida no fogão a gás. Tudo o que lá era dito era ouvido na casa do lado direito, na casa do lado esquerdo e, com um bocadinho de sorte (ou não, dependendo da conversa), nas casas que ficavam por trás. E, também por isso, volta e meia tínhamos lá uma vizinha fugida do marido, cujo divertimento, quando bebia demais, era espancar a Mulher. E era, se querem saber, um verdadeiro paraíso! Dei por mim a pensar nisso este fim de semana. A casa da minha avó era um paraíso! Tinha vizinhos a toda a volta que me conheciam, a mim, aos meus pais e à minha avó, desde sempre, e eu podia entrar e sair da casa deles sem ninguém me acusar de ser atrevida ou mal educada. Podia ir à mercearia buscar bolachas e dizer para “pôr na conta” da avó; Podia ir deitar o lixo aos contentores do fim da rua, sem me preocupar com raptos, atropelamentos, más companhias ou afins. E no S. João, havia uma fogueira partilhada por todos os vizinhos! A casa era pequena, mas tinha uma soleira grande, onde nos sentávamos nas noites quentes a beber refresco de café e a comer gelados de sumo de groselha feitos no congelador. E um quintal enorme (aos meus olhos, pelo menos), com uma laranjeira, um limoeiro e um diospireiro de onde vinham (do lado de lá do muro) aviões de papel de admiradores anónimos muito pouco secretos. Não havia chuveiro, mas tínhamos uma mangueira enorme para banhos conjuntos, em dias quentes de verão. E tínhamos uma ramada cujas uvas apanhávamos para fazermos a vindima em tardes de passeio pelos telhados das casas vizinhas (e ver tudo, lá do alto, era uma experiencia pela qual, todos os anos, esperava ansiosamente) Tinhamos, como se pode ver, tudo. E, mais que este tudo, era lá que estavam as minhas primas. E bem se sabe que quem não tem irmãos e tem primos para brincar nas férias de verão tem mesmo tudo! Nada de acantonamentos, campos de férias ou actividades programadas. Eramos nós e os dias. E os dias e nós. Brincavamos por prazer, sem planos, sem objectivos. Inventávamos historias, dávamos comida aos gatos, brincávamos com os caes e com as galinhas, fazíamos toalhas de papel recortado, passeávamos pela rua, e víamos o “agora escolha” (que a hora dos desenhos animados era mesmo uma hora - se corresse bem - e não canais exclusivamente dedicados a nós, que ninguém tinha ainda percebido que podíamos ser assim tao importantes!) E à noite, quando por sorte dormíamos todas juntas na cama com a avó (coisa rara, que os meus pais gostavam mesmo de me levar para casa), havia sempre o sacramental destino: Quem dorme no meio, tem um sapo no seio. Quem dorme no lado, tem um rebuçado! (Dúvidas de que era mesmo um paraíso?) Saudades A.!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Isto de ser mae é uma incoerencia todos os dias (e noites): Ontem, saí cedo do escritorio para irmos, todos, à feira medieval de Santa Maria da Feira. É uma especie de tradição que gosto de manter, assim como várias outras. Penso sempre que, quando forem mais velhos, os miudos hão-de lembrar-se da sua infancia também pelos cheiros, pelos lugares e pelas rotinas. Gosto de pensar que um dia, quando já cá nao estiver, eles dirão aos seus filhos que iam todos os anos a uma determinada festa, comigo. Que se lembram das cores, do barulho, da comida, das brincadeiras (de mim, afinal). Vai daí, fomos sete num carro (nós, eles, e as duas avós), num final de tarde ainda muito, muito quente, numa quinta-feira porque, na minha esperteza vã, achava que nao estaria muita gente... pois sim! fila para entrar em santa maria da feira, assim uns 45 minutos, mais coisa menos coisa; fila para procurar estacionamento, mais uns trinta minutos (e mais uns quantos passados só pelo P., que foi sozinho procurar lugar enquanto eu amansava as feras já muito irrequietas) e, para surpresa das surpresas, fila para jantar! Em tres tascinhas seguidas! (é a tal crise, como se sabe...). Valeu-nos ao menos a comida boa e pronta a servir e a nossa vontade férrea de cumprir a tradição, um ano mais! Ah, e a incoerencia, essa, pois: hoje, para nao variar muito, mais uma festa, daquelas de aldeia (ou vila, sei lá bem) muito popular. Mais filas, mais confusões, mais barulho, mais luzes, carrosseis, mais babas e mais ranhos! E viva a maternidade (que amanhã será dia de praia com filas iguais, barulhos iguais, birras iguais, mas com mar á vista, que a paisagem faz toda a diferença:))

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Hoje é, mais uma vez, dia de nosso aniversário. Bem sei que 2 anos e 8 meses desde que começamos a namorar nao é assim lá muita coisa, mas gosto de lembrar o dia 08 como o nosso dia. Mais até que o dia do casamento, que mais nao foi do que uma reunião de amigos. Porque aquele dia 08 de Dezembro foi o dia do primeiro beijo, o dia das primeiras promessas de amor, o dia em que percebemos que até podia ser possivel que esta historia fosse a nossa história de amor. Hoje é, por isso, e também, o dia do teu sorriso... "Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Correr, navegar, morrer naquele sorriso." (E. Andrade)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sei que às vezes lhes é difícil dividirem-se. São felizes com todas as pessoas que os rodeiam e, no seu coraçãozinho puro, o ideal era mesmo estarmos todos juntos. Não sendo isso possivel, lá vão gerindo, com facilidade e alegria, a circunstancia de serem filhos de pais separados. O mais pequenino é o que fica mais dividido: entre as imensas possibilidades de brincadeira com os irmãos e o colinho da mae e do P. Foi isso que Aconteceu no sábado passado. Entre o ir e o ficar, decidiu (mas não sem algum conflito interior) ficar no nosso aconchego. E nós agradecemos os mais dois dias que ele preencheu com ternura e fizemos, destes dias, mais momentos doces de amor.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Fomos de ferias os dois. A dois. em férias com sabor a mar. foram dias de sol, de brilho, de descoberta (para mim) de sitios que nao conhecia. de recantos e historias que, agora, passaram a ser nossos. foram dias de regresso, a nós enquanto amantes que só se têm um ao outro, que só respiram um no outro. Dias de férias dos outros, de comunhão de pele e de almas. E, do tanto que de lá trouxe, fico com a memória de nós num skate, eu bem agachadinha e ele a empurrar-nos, livres, soltos, felizes e apaixonados. Que só vale a pena viver assim!