quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ele encanta-me por diversos motivos. Muitos e vários, nao fosse ele o meu amor. Mas um dos que mais me encanta, como nao podia deixar de ser, é o amor infinito e imaculado que sente pelos nossos principes. Ontem escreveu-me que é viciado neles. Que nao consegue viver sem eles. E eu sei que é verdade. Sei-o todos os dias em milhentos pormenores. E soube-o mais uma vez ontem à noite quando, depois de um dia de trabalho (de escritorio e de tese), já depois do jantar, ainda arranjou tempo e vontade para ir com eles, de bicicleta e patins, até à casa da Musica. E soube-o uma vez mais hoje de manha, quando acordou mais cedo para os levar ao surf. O amor de Pai nao se escolhe. Nasce sem laços de sangue associados. Frutifica no dia a dia, nas aventuras, nas rotinas, nos ensinamentos, nas corridas, nos aconchegos. Cresce nos olhares cumplices, nos segredos, nos castigos, nos pedidos de desculpa, nos almoços e jantares, nas brincadeiras, nas historias, nas palavras, nos beijos. E este é, por isso, um amor de Pai. E, o deles, um amor de filhos. Que se faz de alma, todos os dias.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ontem os nossos pequenos principes chegaram de uma semana de férias com os avós. Estavamos - eles e nós - cheios de saudades que matamos em doses industriais de beijos e abraços histéricos. ainda mais bonitos do que me lembrava, mais feliz eu quando os tenho debaixo dos meus braços. O p., depois do entusiamo inicial, começou a ficar inquieto. irritado com tudo e, a proposito de coisa nenhuma, desatou a chorar e a queixar-se de que tudo lhe corria mal. Foi a correr para o jardim, esconder-se na cama de rede, como se a vida dele, de facto, aos sete anos, pudesse correr-lhe mal... - p., posso deitar-me aqui ao teu lado, para conversarmos? - preciso de estar sozinho, mamã! (primeira novidade... mau! aos sete anos????) - está bem, filho, respeito a tua necessidade de estares sozinho (esta fui eu armada em mae do Ruca). Daqui a cinco minutos podemos conversar? - está bem... E assim foi. Chorou, berrou, bateu na rede, e eu voltei. Pelos vistos, tinha-se aborrecido com a prima e com os irmãos nas férias. O que nao é, naturalmente, grave. Mas imagino que se tenha sentido indefeso (estava lá a mae da prima, nao a mae dele) e precisava de desabafar em casa. Com miminho e uma noite de sono, as coisas acalmaram. á noite, contei por alto à minha mae e ela perguntou-lhe o que se tinha passado. Segunda novidade: - nao me apetece falar sobre isso, vovó...) OMG! terei já um pré-adolescente em casa? Meditação! urgente! Mae precisa!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

o que podia ser o inicio

Tenho andado à procura do meu tom, neste blogue. No anterior estava já bem definido mas neste,confesso que tenho andado a tentar encontrar-me. Porque eu nao sou a mesma e nós nao somos os mesmos. Aqueles pés, que aparecem ali em cima, são os pés deles. Cresceram, desde então. O m. e o p. têm sete anos, o j. cinco. Continuam lindos e felizes, cada vez mais lindos e felizes e eu, cada vez mais apaixonada por eles. Aquela, ali ao lado, sou eu. mais crescida também, quase quase a fazer 40 anos. Mais linda e feliz também:) Tenho, para além de uma barriga cheia de felicidade, o corpo coberto de pedaços felizes. A eles, aos meus pequenos principes, veio juntar-se o meu principe maior. conhecemo-nos, amamo-nos, casamos. Assim, sem grandes complicações. E começamos, do nada, uma familia de cinco. Somos, hoje, uma laranja com cinco gomos. E só podia ser assim. Ele, o meu amor, é isso mesmo: o meu, o nosso, amor. A luz que, todos os dias, deixa o meu coração quentinho, no aconchego dos braços dele.É o meu ninho. meu e deles, os meus bebés, que o adoram. São, os quatro, tantas vezes (quase sempre) crianças. E, o que mais me enche a alma, são eles. saber que se amam, saber que me amam, saber que os amo. O amor nao escolhe idades, nem tempo, nem altura para acontecer. escolhe almas e laços que se estreitam. Nós, estreitamos os nossos todos os dias, na caminhada diária de uma familia de cinco. Que nao é fácil, pois então! São muitas vontades, muitas personalidades, muitas birras de crescimento, muitos banhos, refeições, trabalhos de casa e actividades. Mas são, também, muitos braços, muitos mimos, muitos risos, muito a certeza de que estamos, juntos, onde deveriamos estar. o meu tom, hoje, é este: o de uma mulher adulta que é, também, mae de tres rapazinhos e mulher de um rapagão:) Apaixonada - sempre - pelo ser, pelo estar, pela vida.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Os miúdos foram passar uns dias a casa dos avós, na aldeia. Falei com eles ontem e estão para lá de felizes, entre piscina, futebol, ténis, animais e pés na terra, e o P. está a terminar a tese para apresentar em final de Setembro, pelo que isto me deixa a mim, assim que mais ou menos sozinha. Eu sei que o ruido de todos os dias é, muitas vezes, insuportável. E sei que tantas vezes lhes digo para me darem uns minutos de silencio. Só eu comigo, por um bocadinho, nada de muito complicado. Mas agora, que tenho não sei quantos minutos de silencio, pergunto-me sobre o que raio devo fazer com eles. É que tanto silencio, tanto tempo para fazer nada, tanta inércia junta, é muito mais insuportável. E, por isso, o que tinha definido, para mim mesma, fazer esta semana, ainda não fiz nada. do género, ir ao cinema, ir ás compras, ir tomar café com amigos, organizar os trabalhos dos miudos dos anos anteriores, organizar as facturas no escritório, emoldurar umas fotos para o corredor, comprar os bancos para a mesa da cozinha, ir comer um gelado á praia, sair cedo e ir a uma esplanada beber chá… NADA! NADA FEITO. Limito-me a vegetar em frente da televisão, a devorar “sexo e a cidade” (by the way: como é que eu pude andar anos sem ligar á série?????) e “uma família muito moderna”, e nem sequer chego a pegar nos livros que tinha para ler (o ultimo acabou durante o fim de semana e desde então ainda não abri mais nenhum) E pronto, é isto. Silencio a mais enjoa...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Já há muito muito tempo que tenho a desconfiança de que os meus filhos são poetas... é certo que imagino que o sejam todas as crianças da idades deles, mas como nao conheço mais nenhumas com estas palavras, dou-me o direito de acreditar que estas, as minhas, é que têm estas sensibilidade tão especial que as faz ser, no minimo, geniais:) Senao, porque me teria dito, um destes dias, ao atravessarmos a ponte da arrábida, o M.: - mamã, este é que rio? - é o rio douro - o mesmo rio que passa pela quinta dos avós? - exactamente o mesmo rio - Mas o rio que lá passa é mesmo de ouro mamã, muito mais brilhante que este aqui! (É que para além de ser de poeta é uma pergunta genial: porque raio é que o rio Douro é mais brilhante nos vales vinhateiros que por baixo da ponte da arrábida?) - deve ser por causa dos reflexos do sol e das sombras dos vales, meu amor...

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

E só pode estar tudo bem, quando um dos nossos filhos, do nada, nos diz: " eu ia até ao fim do mundo para te proteger a ti e ao P.!" Ah, que o coração de mae (e de P.) é tão facilmente comprável!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A casa da minha avó cabia, bem medida, no espaço do meu quarto. Era uma casa numa ilha - aqueles conjuntos habitacionais de muitas casas, em corredor, bem pequenas e humildes que ainda existem algures pelo Porto – com casa de banho cá fora, com descargas a baldes de água. A cozinha tinha um fogão, um pequeno armário e um lava-loiça que mais não era que uma bacia em cima de um mini balcão de pedra com uma torneira em cima. Não havia àgua quente e tomava-se banho numa bacia grande, na sala (no quarto só cabia a cama e um guarda-fatos), com água aquecida no fogão a gás. Tudo o que lá era dito era ouvido na casa do lado direito, na casa do lado esquerdo e, com um bocadinho de sorte (ou não, dependendo da conversa), nas casas que ficavam por trás. E, também por isso, volta e meia tínhamos lá uma vizinha fugida do marido, cujo divertimento, quando bebia demais, era espancar a Mulher. E era, se querem saber, um verdadeiro paraíso! Dei por mim a pensar nisso este fim de semana. A casa da minha avó era um paraíso! Tinha vizinhos a toda a volta que me conheciam, a mim, aos meus pais e à minha avó, desde sempre, e eu podia entrar e sair da casa deles sem ninguém me acusar de ser atrevida ou mal educada. Podia ir à mercearia buscar bolachas e dizer para “pôr na conta” da avó; Podia ir deitar o lixo aos contentores do fim da rua, sem me preocupar com raptos, atropelamentos, más companhias ou afins. E no S. João, havia uma fogueira partilhada por todos os vizinhos! A casa era pequena, mas tinha uma soleira grande, onde nos sentávamos nas noites quentes a beber refresco de café e a comer gelados de sumo de groselha feitos no congelador. E um quintal enorme (aos meus olhos, pelo menos), com uma laranjeira, um limoeiro e um diospireiro de onde vinham (do lado de lá do muro) aviões de papel de admiradores anónimos muito pouco secretos. Não havia chuveiro, mas tínhamos uma mangueira enorme para banhos conjuntos, em dias quentes de verão. E tínhamos uma ramada cujas uvas apanhávamos para fazermos a vindima em tardes de passeio pelos telhados das casas vizinhas (e ver tudo, lá do alto, era uma experiencia pela qual, todos os anos, esperava ansiosamente) Tinhamos, como se pode ver, tudo. E, mais que este tudo, era lá que estavam as minhas primas. E bem se sabe que quem não tem irmãos e tem primos para brincar nas férias de verão tem mesmo tudo! Nada de acantonamentos, campos de férias ou actividades programadas. Eramos nós e os dias. E os dias e nós. Brincavamos por prazer, sem planos, sem objectivos. Inventávamos historias, dávamos comida aos gatos, brincávamos com os caes e com as galinhas, fazíamos toalhas de papel recortado, passeávamos pela rua, e víamos o “agora escolha” (que a hora dos desenhos animados era mesmo uma hora - se corresse bem - e não canais exclusivamente dedicados a nós, que ninguém tinha ainda percebido que podíamos ser assim tao importantes!) E à noite, quando por sorte dormíamos todas juntas na cama com a avó (coisa rara, que os meus pais gostavam mesmo de me levar para casa), havia sempre o sacramental destino: Quem dorme no meio, tem um sapo no seio. Quem dorme no lado, tem um rebuçado! (Dúvidas de que era mesmo um paraíso?) Saudades A.!